Revolução regulatória no campo
A proposta PRO2026-01 da Pest Management Regulatory Agency (PMRA), ligada ao Health Canada, quer permitir que drones (RPAS) apliquem qualquer produto que já tenha registro para aplicação aérea convencional no país. Em vez de exigir um registro específico para drones em cada rótulo, a regra passaria a ser: se o produto já pode ser aplicado por avião ou helicóptero, também poderá ser aplicado por drone, salvo quando o fabricante incluir explicitamente a restrição “não aplicar por RPAS”. Estudos técnicos avaliados pela agência indicam que o risco para saúde humana e meio ambiente é semelhante – e em alguns casos até menor – ao da aviação agrícola tradicional, desde que sejam seguidas as mesmas condições de rótulo.
O que isso significa na prática para o produtor
Na prática, essa mudança remove hoje um dos principais gargalos para a pulverização com drones no Canadá, que é a limitação de produtos autorizados especificamente para RPAS. Com a nova política, o produtor passa a ter acesso imediato a um portfólio bem mais amplo de defensivos já usados na aplicação aérea, respeitando volume de calda, taxa de aplicação, tamanho de gota e zonas de amortecimento previstos no rótulo. Isso torna o drone especialmente competitivo em talhões pequenos, áreas encharcadas, encostas e culturas especiais, onde o custo por hectare da aviação tripulada é proibitivo e o pulverizador terrestre aumenta o risco de amassamento e compactação do solo. Para o mercado de serviços, abre-se uma janela para modelos de negócio baseados em frota de drones, com alta mobilidade entre propriedades e melhor aproveitamento da capacidade de voo em safra.
Lições para o mercado brasileiro de drones
Embora o movimento da PMRA seja específico do Canadá, ele dialoga diretamente com o cenário brasileiro, onde o uso de drones na aplicação de insumos já cresce em ritmo acelerado, impulsionado por normas próprias do MAPA e pela regulamentação da ANAC e do DECEA. Enquanto os canadenses discutem como “abrir a porteira” para que qualquer produto com registro aéreo possa ser aplicado por drones, o Brasil avança em outra frente: cursos obrigatórios (como o CAAR), cadastro de aeronaves, registro de operadores e atualização de portarias para reduzir a clandestinidade e elevar o nível técnico das operações. Estimativas indicam que o país já soma dezenas de milhares de drones agrícolas em operação, com crescimento próximo a 10.000% desde 2018, o que coloca o Brasil entre os mercados mais dinâmicos do mundo em pulverização remota. Para o produtor brasileiro, acompanhar o debate canadense ajuda a entender para onde caminha a padronização internacional: rótulos mais claros para uso com drones, maior integração entre agronomia e aviação não tripulada e pressão crescente por rastreabilidade, transparência e controle de deriva em todas as frentes de aplicação aérea.
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