A família DJI Agras é hoje a referência em drones de pulverização no Brasil: são RPAS multirrotores projetados especificamente para aplicações agrícolas, com tanque de pulverização, sistema de dispersão sólida (nos modelos maiores) e voo automatizado com GPS/RTK. Em qualquer modelo da linha, você encontra recursos como radares de matriz de fase, sensores de visão binocular, planejamento de missão por faixas, ajuste de altura em tempo real e registro de dados de voo, o que permite rastreabilidade de cada aplicação na lavoura.
Na parte regulatória, todos entram no mesmo “guarda-chuva”: cadastro na ANAC (SISANT/SARPAS, conforme peso e operação) e atendimento às exigências do MAPA para pulverização aérea com drones, como responsável técnico com CAAR e cadastro de prestador de serviço quando houver aplicação para terceiros.
DJI Agras T25: compacto para pequenas áreas e talhões desafiadores

O DJI Agras T25 é o modelo compacto da linha atual, pensado para operações com uma pessoa e áreas menores ou mais recortadas. Segundo a ficha oficial, ele trabalha com carga útil de pulverização de até 20 kg (20 L) e pode carregar até 25 kg em operações de dispersão de sólidos. Em condições comerciais no Brasil, fornecedores indicam produtividade típica em torno de 8 a 12 hectares por hora, dependendo da dose em L/ha, do lay-out de abastecimento e da experiência do piloto.
Onde o T25 costuma encaixar melhor:
- Propriedades de menor porte, com talhões fragmentados, curvas de nível e obstáculos.
- Aplicações pontuais em culturas de maior valor (café, hortifruti, HF de alto valor) e áreas de difícil acesso para trator.
- Prestadores de serviço que estão começando e focam em volumes diários menores, mas com alta flexibilidade.
Pontos fortes:
- Menor peso e dimensões, facilitando transporte e operação com equipe enxuta.
- Investimento inicial mais baixo que os modelos maiores, tornando a entrada no mercado mais acessível.
DJI Agras T40: equilíbrio entre capacidade e versatilidade

O DJI Agras T40 se consolidou como o “coringa” da linha para muitos produtores e empresas de serviço no Brasil. Ele utiliza o design coaxial twin rotor e trabalha com carga de pulverização de até 40 L (aproximadamente 40 kg) e dispersão de até 50 kg de sólidos, conforme especificação da DJI. Em campo, fornecedoras relatam coberturas usuais de aproximadamente 15 a 20 ha/h em pulverização, variando de acordo com dose, topografia e logística de reabastecimento.
Perfis em que o T40 tende a se encaixar melhor:
- Fazendas de médio porte (centenas de hectares) com necessidade de várias aplicações ao longo da safra.
- Cooperados ou grupos de produtores que compartilham um equipamento para uso em diferentes áreas, mantendo bom volume diário.
- Prestadores de serviço que querem boa produtividade sem ir direto para o patamar de investimento dos modelos maiores.
Diferenciais:
- Versatilidade: pulverização foliar, aplicação de fertilizantes e sementes em cobertura com o mesmo drone, trocando o sistema de tanque/dispersão.
- Bom compromisso entre carga útil e facilidade de transporte/infraestrutura comparado aos modelos de maior porte.
DJI Agras T50: mais carga para quem precisa de volume

O DJI Agras T50 é a evolução para operações que já dominam o uso de drones e precisam de mais volume por hora com uma estrutura de equipe similar. Ele mantém o conceito de rotor coaxial, mas aumenta a capacidade: até 40 kg de pulverização e 50 kg de dispersão de sólidos, com melhorias de estabilidade e sistemas de atomização. Em termos de desempenho, fabricantes e revendas trabalham com faixas de produtividade semelhantes ou ligeiramente superiores às do T40, com ganhos principalmente em cenários de alta dose ou distâncias maiores entre ponto de abastecimento e talhão.
Cenários típicos para o T50:
- Fazendas médias e grandes em regiões como MT, GO e MATOPIBA, com janelas de aplicação muito apertadas para doenças e pragas.
- Empresas de serviço que precisam manter alto volume diário com poucas máquinas, atendendo vários clientes.
Por ser um equipamento mais novo e robusto, o T50 tende a ter investimento inicial acima do T40, o que reforça a necessidade de um bom planejamento de hectares anuais tratados para fechar o ROI.
DJI Agras T100: foco em operações de grande escala

Na ponta de cima da linha está o DJI Agras T100, direcionado a operações de grande escala e prestação de serviços intensiva. Conforme as especificações, ele foi projetado para cargas ainda maiores, com peso de decolagem significativo e estrutura reforçada para missões de pulverização e dispersão em alto volume, mantendo recursos como RTK, radares e visão binocular para segurança e precisão. Em termos de produtividade, o T100 se posiciona para operações que buscam maximizar hectares por dia, aproximando-se, em certas condições, de faixas que começam a competir com aeronaves tripuladas em talhões menores, porém com toda a flexibilidade típica dos drones (bordaduras, encostas, áreas úmidas).
Usos mais comuns:
- Grupos de fazendas ou empresas de aplicação aérea que querem complementar a frota de aviões em áreas onde o avião não compensa.
- Prestadores de serviço com contratos de grande volume e demanda constante, que justificam o alto investimento em equipamentos de maior porte.
Por ser um equipamento pesado e complexo, a operação do T100 exige ainda mais atenção a requisitos regulatórios, qualificação de equipe e infraestrutura de manutenção.
Como escolher o modelo Agras mais adequado
Em vez de escolher “o maior que o orçamento permitir”, faz mais sentido partir da realidade da fazenda e da estratégia de uso. Alguns pontos de partida práticos, combinando dados de capacidade dos modelos e experiência de mercado:
- Até algumas centenas de hectares, com talhões recortados e foco em uso próprio: T25 ou T40 costumam atender bem, priorizando flexibilidade e custo de entrada.
- Fazendas médias com várias aplicações por safra e necessidade de boa produtividade diária: T40 e T50 tendem a ser os mais equilibrados.
- Operações de serviço profissional ou grandes grupos de fazendas com alto volume anual e contratos firmes: T50 e T100 passam a fazer sentido, desde que haja gestão rigorosa de demanda e manutenção.
Independentemente do modelo escolhido, o custo real por hectare e o retorno do investimento vão depender mais da organização de campo (ponto de abastecimento, equipe de apoio, logística de água e produto) e da taxa de utilização anual do que apenas da ficha técnica.