A presença dos drones agrícolas na Expoagro Afubra

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Imagem meramente ilustrativa
Os drones agrícolas deixaram de ser promessa distante e se consolidam como ferramenta prática de resiliência para a agricultura familiar, especialmente quando associados a capacitações como as oficinas do Senar-RS na Expoagro Afubra, que mostram na prática como a tecnologia reduz desperdícios, melhora o manejo e prepara o produtor para um mercado cada vez mais competitivo.

Na 24ª Expoagro Afubra, o Senar-RS ocupa um estande de 300 m² com foco em soluções escaláveis para a agricultura familiar, conectando tecnologia, formação profissional e resiliência frente aos eventos climáticos extremos. Em vez de apostar apenas em máquinas pesadas, a instituição estrutura uma vitrine de ferramentas acessíveis – com destaque para os drones – para mostrar que inovação no campo também cabe no bolso do pequeno produtor. A mensagem central é clara: quem domina tecnologia e capacitação técnica tem mais chances de se manter competitivo mesmo em anos de seca, excesso de chuva ou pressão de preços internacionais.

A oficina de drones do Senar-RS: tecnologia na mão do produtor

Um dos pontos altos da participação do Senar-RS é a Oficina de Mecanização Agrícola sobre Drone na Agricultura, que utiliza uma gaiola de pilotagem com cerca de 5 metros de altura para simular, com segurança, a operação em campo. Nessa estrutura, produtores, jovens e técnicos podem pilotar o equipamento sob supervisão de instrutores, entendendo na prática como funcionam manobras, planejamento de voo e leitura dos dados coletados. A proposta é desmistificar o drone agrícola, mostrando que, com treinamento adequado, qualquer propriedade pode incorporar essa tecnologia ao manejo diário.

Monitoramento aéreo, pragas e uso racional de insumos

A oficina demonstra como o monitoramento aéreo com drones ajuda a identificar pragas, falhas de plantio, estresse hídrico e áreas com deficiência nutricional antes que o problema se torne visível a olho nu. Com imagens georreferenciadas de alta resolução – e, em níveis mais avançados, com sensores multiespectrais – o produtor consegue mapear talhões, priorizar intervenções e aplicar defensivos apenas onde é necessário. O resultado é uma combinação de economia de insumos, redução de impactos ambientais e maior produtividade por hectare, algo especialmente relevante para áreas pequenas e médias que precisam ganhar eficiência sem ampliar área plantada.

Do aprendizado básico ao uso avançado

As oficinas do Senar-RS funcionam como porta de entrada: primeiro o produtor aprende a pilotar, entender limites de segurança, planejar voos simples e interpretar mapas básicos. A partir daí, abre-se espaço para conteúdos mais avançados, como rotas automáticas de pulverização, integração com softwares de agricultura de precisão e leitura de mapas de vigor vegetal gerados por sensores multiespectrais. Esse modelo de capacitação progressiva dialoga com a realidade da agricultura familiar, que precisa enxergar retorno rápido, mas também quer construir uma trajetória de profissionalização no uso de dados e tecnologia.

Números do mercado de drones agrícolas no Brasil

O avanço visto em feiras como a Expoagro Afubra reflete um movimento nacional: o Brasil já ultrapassou a marca de mais de 133 mil drones registrados na ANAC, considerando todos os usos, com crescimento superior a 460% desde 2017. Só no segmento agrícola, estimativas indicam salto de poucas centenas de drones em 2018 para dezenas de milhares de equipamentos em operação em 2025, com projeções que apontam para 50 mil a 100 mil drones de pulverização até 2026–2029. Entidades do setor falam em potencial de movimentar até R$ 96 bilhões com drones agrícolas e serviços associados até 2028, incluindo venda de equipamentos, softwares, serviços de aplicação e mapeamento.

Resiliência climática e gestão de risco

Em um cenário de eventos climáticos cada vez mais frequentes, o drone se torna uma ferramenta estratégica de gestão de risco na propriedade. Com sobrevoos rápidos após chuvas intensas, granizo ou períodos de estiagem, o produtor consegue avaliar danos, registrar evidências para seguros rurais e redirecionar manejos para salvar o máximo possível da lavoura. Além disso, o monitoramento recorrente permite ajustar janelas de aplicação de defensivos e fertilizantes, evitando perdas por lavagem, deriva excessiva ou baixa eficiência de absorção.

Regulamentação: ANAC, DECEA e MAPA

Para transformar a tecnologia em negócio regular e seguro, é indispensável respeitar a regulamentação vigente. No campo da aviação civil, os drones precisam estar cadastrados e regularizados junto à ANAC, que simplificou as regras para aeronaves remotamente pilotadas, inclusive modelos agrícolas mais pesados, por meio da revisão do RBAC-E nº 94. Já o DECEA exige autorização de uso do espaço aéreo via sistema SARPAS, especialmente para operações fora de área confinada, garantindo segurança para outras aeronaves e pessoas em solo.

No âmbito agropecuário, a Portaria nº 298 do MAPA estabelece regras específicas para o uso de drones na aplicação de agrotóxicos, fertilizantes, corretivos e sementes, exigindo registro do operador no sistema Sipeagro e profissional habilitado como aplicador aeroagrícola remoto. Em muitos casos, também é necessária a presença de responsável técnico (engenheiro agrônomo ou florestal), além da homologação de rádio e estação de pilotagem junto à Anatel. Para o produtor ou prestador de serviço, seguir essas normas não é apenas burocracia: é garantia de segurança jurídica, acesso a contratos com grandes grupos agrícolas e redução de riscos de multas e autuações.

Tendências tecnológicas: muito além da câmera comum

Os drones que começam a ganhar espaço nas feiras e cursos do Senar-RS já trazem recursos antes restritos a grandes fazendas e empresas de agricultura de precisão. Entre as principais tendências estão sensores multiespectrais e hiperespectrais para leitura de vigor, softwares com inteligência artificial para detecção automática de falhas e pragas, baterias de maior autonomia e carregamento rápido, além de controladoras capazes de integrar dados climáticos em tempo real. No campo da pulverização, evoluem sistemas de bicos inteligentes, controle de taxa variável, mapas de aplicação e integração com plataformas de gestão da fazenda, o que facilita comprovação de rastreabilidade e boas práticas.

Como essas oficinas mudam a realidade da agricultura familiar

Ao levar simuladores, oficinas práticas e demonstrações a eventos como a Expoagro Afubra, o Senar-RS encurta a distância entre o discurso de inovação e o dia a dia da propriedade. Em vez de ver o drone apenas como “brinquedo caro”, o produtor passa a enxergar aplicações concretas: reduzir o tempo de vistoria de áreas íngremes, entrar em talhões encharcados sem amassar planta, aplicar produto em reboleiras de mato ou praga sem rodar o pulverizador no talhão inteiro. Esse tipo de experiência prática, somado à oferta de cursos mais completos, tende a formar uma nova geração de operadores e prestadores de serviço mais profissionais, conectando agricultura familiar, tecnologia e mercado de alta performance.

Fontes e Referências

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Como drones a hidrogênio podem revolucionar a produtividade no agro brasileiro
Como drones com IA embarcada transformam decisões em tempo real no campo