Drones agrícolas em evidência na Expodireto 2026

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Imagem meramente ilustrativa
A Expodireto Cotrijal 2026, encerrada no dia 13 de março em Não-Me-Toque (RS), foi usada pelo Senar-RS como vitrine para mostrar, na prática, como os drones agrícolas e outras tecnologias digitais podem transformar manejo, reduzir custos e acelerar decisões no campo. Ao combinar simuladores de voo, oficinas de pulverização e capacitação técnica, a instituição aproximou o produtor gaúcho da agricultura de precisão e das novas exigências regulatórias para operação com drones. Esse movimento aconteceu em um momento em que o mercado de drones agrícolas explode no Brasil e ganha regras mais claras de ANAC, DECEA e MAPA, abrindo espaço para quem quer profissionalizar o uso dessa ferramenta na fazenda.

Na 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS), o Senar-RS montou um estande de 600 m² dedicado a experiências imersivas e treinamentos práticos focados em tecnologias de alta precisão, com destaque para os drones agrícolas. A proposta foi transformar inovação em produtividade, conectando o produtor diretamente às soluções que já estão consolidadas em centros de pesquisa e no mercado.

Um dos grandes atrativos foi a experiência “Voo do Drone”, um simulador que usa cabos de suspensão e painéis de LED no piso e paredes para reproduzir o ponto de vista de uma aeronave remotamente pilotada sobre a lavoura. Nesse ambiente, o visitante pôde ver como o monitoramento aéreo revela falhas de plantio, focos de pragas e variações na saúde da pastagem ou da cultura, tornando palpável o potencial da agricultura de precisão.

O Senar-RS também apresentou a maquete do novo Centro de Formação Profissional Rural da Campanha, em Hulha Negra (RS), que contará com estrutura específica para qualificação de mão de obra em tecnologias como drones, mecanização e manejo digital de lavouras. A instituição reforçou que a capacitação contínua é o caminho para transformar drones em ferramenta estratégica, e não apenas em “gadget” caro no galpão.

Como os drones estão mudando o manejo no campo

Nas oficinas de mecanização agrícola focadas em drones, especialistas mostraram como essas aeronaves reduzem o tempo de operação e o custo por hectare em relação à pulverização terrestre tradicional, com melhor aproveitamento de insumos. Os conteúdos abordaram monitoramento de lavouras, identificação de pragas e doenças, aplicação de fertilizantes, corretivos e defensivos, sempre com ênfase na aplicação localizada e no controle de deriva.

Drones pulverizadores modernos operam com tanques entre 10 e 50 litros, voos programados por rotas automáticas e bicos projetados para produzir gotas finas, médias, grossas ou ultragrossas conforme a necessidade da cultura. Isso permite ajustar volume de calda, tamanho de gota e altura de voo para equilibrar cobertura de alvo, penetração no dossel e segurança contra deriva, algo que o Senar trabalhou também nas oficinas de Tecnologia de Aplicação em parceria com a TeeJet e a Embrapa Trigo.

Na prática, o produtor consegue:

  • Mapear falhas de plantio e reboleiras de infestação com imagens RGB ou multiespectrais.
  • Programar voos apenas nos pontos que realmente precisam de intervenção, reduzindo a área tratada.
  • Aplicar defensivos e fertilizantes em janelas curtas, logo após a identificação do problema, sem depender da disponibilidade de trator ou aviões tripulados.

Estudos recentes indicam que o uso de drones agrícolas já proporcionou economia de milhões de toneladas de água e reduções expressivas no uso de defensivos em alguns cenários, ao concentrar o produto apenas onde há necessidade real. Isso melhora a rentabilidade por hectare e fortalece a imagem do produtor frente a exigências ambientais e de rastreabilidade.

Mercado em expansão e oportunidades para o produtor

O movimento do Senar-RS ocorreu em um contexto de forte crescimento do mercado de drones agrícolas no Brasil e no mundo. Estimativas apontam que o segmento global de drones para agricultura e pecuária deve movimentar dezenas de bilhões de dólares até o final da década, enquanto o número de equipamentos em operação no campo brasileiro se multiplica ano após ano.

No Brasil, já são milhares de drones agrícolas registrados na ANAC, e entidades do setor projetam demanda potencial na casa de dezenas de milhares de aeronaves apenas para atender culturas já consolidadas. Esse avanço foi impulsionado por marcos regulatórios mais claros, aumento da oferta de cursos especializados e queda gradual no custo por hectare dos serviços de pulverização e mapeamento.

Para o produtor rural, isso abre três caminhos principais:

  • Comprar um drone e internalizar o serviço na fazenda, formando operador próprio.
  • Contratar empresas especializadas de aplicação e mapeamento com drones, pagando por hectare ou por projeto.
  • Formar parcerias com vizinhos e cooperativas para diluir o investimento em equipamento, baterias, peças e treinamento.

Levantamentos de mercado mostram que boa parte dos prestadores de serviço cobra valores por hectare competitivos em relação à pulverização terrestre, especialmente em áreas com relevo irregular, excesso de umidade ou pequenas propriedades, onde tratores e aviões enfrentam mais limitações. Em muitos casos, o drone representa cerca de um terço do investimento inicial, exigindo planejamento para aquisição de baterias extras, equipamentos reserva e estrutura de apoio em campo.

Regras, cursos e segurança operacional

Operar drones agrícolas no Brasil exige atenção a três pilares: ANAC, DECEA e MAPA. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) estabeleceu, por meio do RBAC-E nº 94 e normas correlatas, os critérios para registro, classificação e licenciamento de aeronaves remotamente pilotadas, incluindo simplificações recentes para drones agrícolas mais pesados.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) é responsável pelas regras de acesso ao espaço aéreo, exigindo cadastro do operador, uso de sistemas como SARPAS e respeito a altitudes, áreas restritas e procedimentos de segurança. Já o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), por meio da Portaria 298/2021 e normas complementares, regulamenta a aplicação aeroagrícola remota de agrotóxicos, fertilizantes e afins, incluindo exigência do Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR), relatórios de operação e responsabilidade técnica de engenheiro agrônomo ou florestal.

Esses requisitos tornam a capacitação oferecida por entidades como o Senar-RS ainda mais estratégica, pois ajudam o produtor e o operador a:

  • Evitar autuações por uso irregular de drones e defensivos.
  • Calibrar corretamente dose, faixa de aplicação e altura de voo.
  • Documentar operações com relatórios e evidências fotográficas, valorizando a gestão da propriedade.

Novas tecnologias embarcadas nos drones agrícolas

O ecossistema de drones agrícolas avança rápido em quatro frentes: sensores, inteligência artificial, baterias e softwares de mapeamento. Sensores multiespectrais, câmeras térmicas e sistemas LIDAR permitem enxergar além do espectro visível, identificando estresse hídrico, deficiência nutricional e falhas de stand com muito mais precisão do que o olho humano.

A inteligência artificial embarcada, integrada a plataformas de agricultura 4.0 e 5.0, já viabiliza rotas automáticas mais otimizadas, análise quase em tempo real das imagens e recomendações de manejo específicas por talhão. Baterias com maior densidade e sistemas de recarga rápida estão aumentando a autonomia por voo, enquanto softwares de planejamento de missão simplificam desde o levantamento topográfico até a execução da pulverização de forma segura e repetível.

Para o produtor, isso se traduz em decisões mais rápidas, com base em dados concretos:

  • Entradas em campo apenas quando há retorno econômico claro.
  • Redução de desperdício de insumos e de reentradas desnecessárias.
  • Ganho de produtividade e estabilidade da lavoura mesmo em anos de clima irregular.

Ao levar simuladores, oficinas e informação qualificada para a Expodireto, o Senar-RS ajudou a encurtar o caminho entre essas tecnologias e a realidade da fazenda, preparando o produtor gaúcho para um cenário em que drones agrícolas deixam de ser diferencial e passam a ser requisito competitivo.

Fontes e Referências

Seguro para Drone Agrícola: Voe Dentro da Lei e Proteja Seu Investimento no Campo
Sua Lavoura com Sensores LiDAR e Câmeras NDVI em Drones Agrícolas
Como drones a hidrogênio podem revolucionar a produtividade no agro brasileiro
Como drones com IA embarcada transformam decisões em tempo real no campo